Quase nada mudou. “Don’t know why” continua sendo minha musica preferida e aquele livro que você me deu permanece intacto, no alto da instante, servindo de enfeite a minha decoração.Aliás, me serve todos os dias como recordação.
Lembranças de paginas secretamente proibidas da minha vida.O tipo de pecado que o tempo passa e a gente vive fingindo querer não reviver.É exatamente isto, fingir: Arte que somente os (ex) apaixonados acham que conseguem dominar. Mal sabem eles que não vale a tentativa.
Aqui já começa o clima quente e acolhedor do verão. Por incrível que pareça, a única coisa que mudou na cidade foram as inúmeras pessoas que parecem nunca acabar de chegar. Engraçado, por mais perturbador que isso já me tenha sido um dia, hoje é algo com que convivo muito bem. Pessoas,calor,contato,sorrisos sem fim. Um sinal vermelho totalmente destinado a solidão.
Realmente quase nada mudou. Ainda faço as mesmas coisas, tenho as mesmas manias, leio os mesmos livros. Ainda passo pelos mesmos lugares e me perco nas mesmas esquinas. Ainda não aprendi a estacionar e ainda não sei a diferença entre light e dight (quem sabe?) ; Ainda sorrio com pequenas bobagens, acredito nas mesmas historias, me perco em algumas lembranças, ainda sinto saudades e as vezes, ainda penso em você. A parte que mais dói é essa: Sentir saudade de algo que o tempo já quase nem faz lembrar. Saudade da voz, do cheiro, do toque, do jeito atrapalhado que quase sempre fazia sorrir. Saudade da sensação de que mesmo longe sabiam-se perto e mesmo não havendo nenhum tipo de posse, se pertenciam.
Mas quase não significa tudo. Quase é pouco. É incerteza. É pequeno demais diante de uma vida que se constrói. É esse quase que me abriu caminhos. Esses " aindas" que me levaram a lugares que você jamais me entregaria. São esses detalhes em forma de felicidade que preenche o " Quase nada mudou" da minha vida.

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